Era uma daquelas tardes de sábado em que o sol decide não dar trégua no litoral paranaense. Estávamos em Morretes, terminando o último prato de barreado — aquela carne desfiada cozida por horas em panela de barro, misturada com farinha de mandioca até virar um pirão denso e saboroso. A maioria dos turistas, com o rosto corado pelo calor e pela cachaça de banana, começava a se dirigir às vans de retorno ou à estação de trem para a volta. Foi nesse momento que o guia, um senhor local que conhecia cada curva da Serra do Mar, nos olhou e disse: “A sobremesa a gente busca onde o tempo parou”. Entramos no carro e seguimos por pouco mais de 15 quilômetros.
O asfalto deu lugar a ruas de paralelepípedo irregular, e o burburinho dos restaurantes lotados de Morretes foi substituído por um silêncio quase respeitoso. Estávamos em Antonina. Se Morretes é a irmã popular e agitada, Antonina é a poeta melancólica e charmosa. A cidade respira uma história que parece ter ficado suspensa nos anos 1920. Caminhar pelo centro histórico não é apenas ver prédios antigos; é notar as marcas do tempo nas fachadas coloridas, algumas descascadas revelando tijolos de séculos passados, outras restauradas com primor. O Aroma que Guia Não precisamos de GPS para encontrar o que viemos buscar.
O cheiro doce, quase caramelizado, pairava no ar úmido da baía. Antonina é o berço das famosas balas de banana da região. Ao entrar em uma das fábricas locais — muitas delas funcionam nos fundos das casas ou em pequenos galpões familiares —, a experiência é hipnótica. Ver as balas sendo embrulhadas manualmente, uma a uma, naquela velocidade impressionante que só a memória muscular permite, muda a perspectiva sobre o pacote verde que compramos nas bancas de Curitiba. Ali, “bala de banana” não é apenas açúcar e fruta; é a economia de famílias inteiras, é a identidade de um povo que aprendeu a aproveitar a abundância da mata atlântica.
Do Doce ao Salgado da Baía Com um pacote de balas recém-comprado na mão, descemos em direção ao trapiche. É aqui que o título desta nossa conversa faz sentido. Onde a bala encontra o cais. A Baía de Antonina oferece um cenário completamente diferente das praias de mar aberto. As águas são calmas, espelhadas, cercadas por manguezais e emolduradas pelas montanhas da Serra do Mar ao fundo. Sentar ali no banco do trapiche municipal, abrir uma bala de banana e observar os barcos de pesca balançando suavemente é entender o ritmo caiçara. Diferente da agitação turística padrão, aqui o luxo é o tempo.
É ver as ruínas do antigo Armazém Macedo, que hoje servem de moldura para fotos incríveis e eventos culturais, e imaginar a época em que este era um dos portos mais importantes do Brasil para o escoamento da erva-mate. Por que estender o roteiro até aqui? Muitos viajantes cometem o erro logístico de limitar a descida da serra apenas ao trajeto Trem + Almoço em Morretes. Ao fazer isso, perdem a alma do litoral norte. Contratar um receptivo que inclua Antonina no transfer ou no passeio privativo transforma a viagem: Fuga das Multidões: Enquanto as filas em Morretes podem ser longas nos fins de semana, Antonina oferece espaço para respirar e caminhar sem esbarrar em ninguém. https://curitiba-travel.com.br/passeio-de-trem-para-morretes/